sexta-feira, janeiro 18, 2008

Bope mata traficante que eu entrevistei

Morreu hoje à tarde o Babi, chefe do tráfico do morro da Pedreira, em Costa Barros, zona norte do Rio. Entrevistei Babi em uma sexta no fim de tarde no seu reduto, no topo da Pedreira. O dia mais emocionante da minha vida, por tudo o que vivi, ouvi, vi e senti.

Babi morreu durante uma operação do 9º Batalhão e do Bope, que intevieram após traficantes do Acari terem invadido a Pedreira. Minha matéria, que conta como eu subi o morro, o que eu vi - as crianças armadas, as bocas de fumo, as conversas dos "bondes" pelo rádio - não saiu e ficará guardada comigo e com aqueles que a leram. Eu acredito que, no Rio, tudo é armado. E esta operação foi calculada. Foi a segunda ação na Pedreira em menos de três dias. De tantos morros do Rio, por que a Pedreira?

Agora, lembro do exato momento do término da entrevista quando, ainda na sua casa, Babi me disse: "Cuidado com o que você vai escrever, a minha vida está nas tuas mãos. Você vai ver o que vai acontecer aqui nas manchetes dos jornais depois que você publicar isso". "Imagina, a minha vida que está nas tuas mãos. Você podia ter me matado aqui, agora, e ninguém nunca acharia o meu corpo", respondi, brincando, percebendo estar cercada por homens armados.

A reportagem nem saiu e Babi foi morto. Alguém vazou. Alguma coisa saiu errada. Minhas fontes confirmaram: "Sim, seu entrevistado morreu, em confronto com o Bope". E como Babi morreu, algumas coisas que ele falou eu posso publicar. Agora, com culpa, eu desisto de tentar publicar esta reportagem.

Morto pelo Bope, chefe do tráfico da Pedreira sonhava em derrubar o “caveirão”

O maior desejo de Fabiano Alberto da Silva, o Babi, 29 anos, chefe do tráfico no morro da Pedreira, zona norte do Rio de Janeiro, era derrubar o “caveirão”, símbolo do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Ironicamente, Babi foi morto nesta sexta-feira durante uma ação da polícia carioca, que interveio no morro em um confronto entre traficantes do Acari e da Pedreira.

Em entrevista concedida em outubro em seu reduto, Babi relatou que já havia tentado de todas as maneiras perfurar o blindado, com tiros de escopeta, fuzil, metralhadora, coquetel de gasolina, bala traçante luminosa e até mesmo colocando uma bomba caseira embaixo do carro para explodi-lo, deixando um jovem deitado, escondido na rua, para fixá-la quando o carro passar. Mas, nada de derrubá-lo.

“É uma covardia atirar do caveirão. Eles têm uma torre que fica girando o tempo inteiro e atirando. Eles dão tiro para todo o que é lado, acaba acertando inocente. A população não pode pagar por erro da gente. Nós dá no teto, no pneu, joga bomba e nada. Já colocamos nego deitado no chão para implantar bomba e nada. Mas um dia ainda a gente derruba ele”, prometia o criminoso na ocasião.

Vestindo regata vermelha e bermuda jeans, boné cinza na cabeça e portando anelões prateados nos dedos e uma reluzente pistola dourada na cintura, o chefe do pó da facção Amigos dos Amigos (ADA) diz que “no morro, todo mundo é bandido” e que o grupo “trabalha em benefício da comunidade”, irritando-se ao ser questionado sobre a visão dos moradores sobre os crimes na favela.

“Vivemos em uma grande guerra, e quem não é bandido ou não nos ajuda, têm que sair fora. Todo mundo acaba entrando na roda. Mas aqui a gente só mata estuprador e X-9 (aquele que passa informações para a polícia ou facções rivais). Quem faz algo que a gente não quer ou incomoda, é expulso ou mando vender a casa e ir embora. Mas aqui, o que o governo não dá, a gente é que dá para eles. A gente dá gás, cesta básica. Na noite, durante o tiroteio, a gente vai invadindo, vai derrubando tudo. Depois, no dia seguinte, eu mando consertar, relatou o traficante.

Pai de oito filhos, Babi disse que o tráfico só sobrevive no Rio devido à promiscuidade entre polícia e o crime: as armas que possuía eram todas adquiridas de policiais. Além disso, para cada uma das viaturas do x° Batalhão da Polícia Militar, Babi pagava também R$ 600 por mês para não atrapalharem o comércio de drogas na favela.

- Eu luto pra caramba, combato muito para defender todo mundo aqui. Eles matam o povo que eu defendo. Pô, dou dinheiro para eles e eles ainda vem aqui complicar. Eu tenho que lutar por minha vida. É a única coisa que eu tenho. Tenho medo de morrer. Quem não tem? Mas se eu topo com os poliça, com milícia ou com os rivais, é cada um por si e cada um pede por Deus – disse o chefe do tráfico, referindo-se aos morros vizinhos dominados pelas facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP).


Nos muros da Pedreira, inscrições marcam o território da ADA
Rafael Andrade/Folha Imagem

5 Comments:

At 4:56 AM, Blogger morador said...

li a sua reportagem e naum posso deixar de comentar eu moro aqui perto
do morro da pedreira
por mais que outros falam que naum
quando c está dentro da favela para os policiais vc é bandido ou naum vale nada
agora fora da favela eles já c comportam de outra forma
em relação a reportagem c vai publicar ou naum
naum sei c minha opinião vale,mas eu acho sim que deveria publica-la
até pq c vc estava cercada por homens e c naum publicar vão pensar que vc foi lá entrevista-lo para que,c naum vai publicar
i o babi falou oq todos já sabem,como passou no filme ''Tropa de Elite'' que é o desvio de armas por meios de policiais corruptos
um abração e naum deixe c tomar pelo medo.um exemplo foi ''Falcão meninos do trafico''de todos os entrevistados apenas um ficou vivo

 
At 6:14 AM, Blogger Eu said...

O MARGINAL DA LEI, BABI, TINHA EXTENSA FICHA CRIMINAL, FOI RESPONSÁVEL POR DIVERSAS MORTES, DE OUTROS MARGINAIS DA SUA PRÓPRIA FACÇÃO, DE OUTRAS FACÇÕES DE PESSOAS Q ELE JULGAVA TER DESREPEITADO AS LEIS DO TRÁFICO.
MORREU TROCANDO TIRO COM A POLÍCIA, MAS SÓ PARA SEU JUÍZO, NAO FOI COM O BOPE, FOI COM O 9º BPM. O BATALHAO Q ELE DIZ Q PAGA ALGUMAS VIATURAS, NÃO DIZENDO Q NAO EXISTAM POLICIAIS CORRUPTOS, MAS ELES NAO SAO MAIORIA!
VIVA O 9º BPM E MENOS UM MARGINAL Q COMO VC MESMO VIU NA ENTREVISTA, ERA SANGUINÁRIO E ASSASSINO, AFINAL MATAR POLICIAIS AINDA É ASSASSINATO! E TENTAR DERRUBAR O CAVEIRAO É TENTATIVA DE HOMICÍDIO!
NAO CAIA NESSA ILUSAO DE Q O TRÁFICO É BONZINHO!!

 
At 6:18 AM, Blogger Eu said...

E se vc é uma jornalista séria, pode confirmar e ligar pro 9º BPM, nao q o BOPE não mereça mérito, mas ele nem estava na Operação.
O 9º BPM tb tem caveirao, outras unidades da PMERJ tb tem! Nao é só o BOPE!
Corriga seu erro ou vc quer aproveitar do nome BOPE pra ressaltar sua entrevista??
acho q um jornalista tem q primar pela verdade!!!
Quem o matou durante uma troca de tiros foi o SUB TEN BRANDÃO do 9º BPM

 
At 5:40 PM, Blogger johnny said...

Pow eu moro na pedreira..mais isso..ñ é verdade..o TCP(terceiro comando puro) pagou um caveirao..veio homens do tcp dentro ..pra invadir aqui..mais ñ conseguiram..o Água..que matou o Babi..com tiro na cara..

 
At 11:26 AM, Blogger mauricio said...

Seis homens, que seriam ligados ao tráfico de drogas, foram mortos, quatro policiais militares ficaram feridos e um morador foi atingido por uma bala perdida durante uma operação policial no Morro da Pedreira, em Costa Barros, nesta sexta-feira. Segundo a polícia, entre os mortos estaria o traficante Fabiano Alberto da Silva, o Babi, que comanda a venda de drogas na Pedreira.

A operação, que começou no início da manhã e só terminou por volta das 18h, teve início depois que policiais receberam uma denúncia de que traficantes da favela de Acari teriam invadido a Pedreira e tomado o controle da venda de drogas no local. A situação ficou tensa no morro. Até mototaxistas que fazem ponto próximo à subida do morro estavam evitando subir. A ação foi realizada por policiais do 9º BPM (Rocha Miranda), com apoio de policiais do Batalhão Operações Policiais Especiais (Bope) e da Ronac. Quatro veículos blindados participaram da operação.

De acordo com reportagem publicada neste sábado pelo jornal 'O Globo, com um colete à prova de balas, o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, esteve na área de conflito, levado num veículo blindado. Mesmo com todo o aparato, bandidos, em que estavam em cima de lajes, exibiam armas a menos de 200 metros dos policiais. Antes de chegar à favela, o comandante sobrevoou de helicóptero o Morro da Pedreira, para observar o andamento da operação. A assessoria da PM não soube informar se o coronel viu os traficantes armados.

Babi foi baleado no início da tarde, na localidade conhecida como Divisa. Com ele, a polícia diz ter encontrado uma escopeta. Os outros cinco mortos, que também seriam traficantes, foram baleados pela manhã, durante um tiroteio no local. Mais cedo, o capitão Luiz Cláudio Henrique, o tenente Marcelo Batista Ferreira e os soldados Márcio Pereira e Kleoson Magalhães, foram atingidos por estilhaços de granada em partes da cabeça, do tronco e das pernas. Todos foram medicados e liberados do Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes.
por favor corrija o oque vc escreveu pois essa é a verdade
obrigado.

 

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